Mercado
Como a febre aftosa interfere na economia do país?
Surtos da doença criam barreiras sanitárias para o mercado internacional de carnes. A doença causa pesadas perdas de carne e leite afetando o desenvolvimento do animal.
Qual é a posição do Brasil no ranking de produtores de bovinos?
Brasil possui hoje o maior rebanho comercial do mundo com 220milhões de cabeças. Em produtividade é o segundo mercado, após os Estados Unidos e tem uma produção de oito milhões de toneladas ao ano. Certamente, a pecuária de corte, junto com a indústria frigorífica e de exportação de couros e derivados é um dos maiores segmentos da economia brasileira.
O Brasil é hoje o maior produtor e exportador de carne bovina do mundo.
Quanto o Brasil consome de carne bovina (per capita, por ano)?
37 kg por habitante ao ano.
Quanto este mercado representa no PIB brasileiro?
Brasil exportou em 2007: U$D 2,5 bilhões de carne bovina para 140 países, gerados pela exportação de 3,0 milhões de toneladas de carne.
O boi brasileiro é considerado um animal ecológico, “Boi Verde” por ser quase 100% alimentado a pastagens naturais sem a utilização de rações. Esta característica aliada à grande produção de verde por hectare gera um baixo custo de produção e um preço altamente competitivo no mercado externo. O custo de produção por kg de carne é de 0,90 U$D no Brasil, muito menor que o americano, europeu e argentino..
Impacto Econômico da febre aftosa
A febre aftosa é um problema mundial, afetando todos os continentes, menos a Antártica. Em nível local, a doença reduz o lucro dos fazendeiros e a disponibilidade de carne para o consumo. Em nível nacional, a febre aftosa reduz o crescimento econômico da pecuária e limita o acesso ao mercado internacional. É então compreensível porque muitos países tentam erradicar a doença. A erradicação da febre aftosa em nível mundial é difícil porque nem todos os países têm condições financeiras para isso ou não dependem muito da pecuária. O controle da febre aftosa é extremamente importante nas Américas devido á alta produção bovina e suína para o abastecimento mundial. O sul do Brasil estava lutando para permanecer livre da febre aftosa, o que manteria o mercado internacional aberto para comercialização de carne. Após um surto da doença no Mato Grosso do Sul em 1999, pensou-se que a doença estava erradicada. Então, em agosto de 2000, a doença ressurgiu no município de Jóia, Rio Grande do Sul. A ocorrência da febre aftosa prejudicou todos os planos de negócios internacionais e causou enorme perda econômica (milhões de dólares), além dos custos para o abate, desinfecção e controle do surto.
Num país como o Brasil, com o maior rebanho bovino mundial (220 milhões de cabeças), com o terceiro maior mercado de produção de suínos e em sexto lugar na produção de leite, a ocorrência da doença é devastadora.
O Office International des Epizooties (OIE) mantém os dados da ocorrência da febre aftosa e a situação dos países membros dessa organização quanto a sua presença. Para ser considerado livre de febre aftosa e ter o mercado internacional aberto para a comercialização de carne sem restrições, o país deve provar que não tem febre aftosa e que a vacinação dos animais contra essa doença não está ocorrendo. Há uma distinção entre país livre de febre aftosa sem vacinação ou livre com vacinação, sendo que a condição de livre sem vacinação abre oportunidades muito maiores no mercado internacional. Atualmente, dentre os países do cone sul, somente o Chile é livre de febre aftosa sem vacinação.
A situação no Brasil
Último foco de aftosa no país foi em 2005, no Mato Grosso do Sul e no Paraná. Na época, cerca de 50 países suspenderam a compra de carne brasileira. Hoje em dia, a doença está controlada por vacinação, com exceção à Santa Catarina e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento possui um mapeamento por região para decidir a periodicidade de vacinação.
A situação sanitária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina
- O Rio Grande do Sul é uma zona livre de aftosa com vacinação. Ou seja, todo o gado gaúcho é vacinado anualmente para ter a garantia de inexistência da doença. A última vez em que foi registrada a enfermidade no Estado foi em 2000.
- Santa Catarina obteve, em maio deste ano, o reconhecimento da Organização Internacional de Saúde Animal de ser uma zona livre de aftosa sem vacinação. Trata-se de um estágio mais avançado na sanidade animal. Isso significa que os criadores conseguem manter o vírus fora do Estado sem precisar aplicar vacinas, o que também lhes dá acesso a mais mercados no mundo.
*Fonte de pesquisa: FUNDEPECPR (Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado do Paraná)

